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Forum - Trabalho Escravo
Desde: 18/05/2003      Publicadas: 50      Atualização: 22/06/2003

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  18/05/2003
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Bradesco e Volks exploraram trabalho escravo na Amazônia.

BRASÍLIA_ Grandes grupos empresariais, com atuação na Amazônia, estão sendo acusados de terem explorado o trabalho escravo em seus latifúdios na região, geralmente em fazendas de gado. A lista das empresas envolvidas com escravidão branca é encabeçada por multinacionais do porte da alemã Volkswagen; de bancos como Bradesco _ o maior do Brasil _ e Bamerindus (hoje HSBC, de capital britânico); construtoras como a falida Encol; seguradoras gigantes como a Atlântica Boa Vista e a Sul-América, além de potências econômicas como Supergasbras, Grupo Matsubara e Manah Fertilizantes. A denúncia, que atinge boa parte das empresas que alavancam o PIB brasileiro, consta do mais completo levantamento já realizado sobre denúncias de trabalho escravo na região amazônica: "Quão Penosa é a Vida dos Senhores _ Discurso dos proprietários sobre trabalho escravo", tese de mestrado do padre Ricardo Rezende Figueiras, 48 anos, ex-vigário de Rio Maria, no sudeste do Estado do Pará, uma das regiões mais atingidas pelos conflitos armados pela posse da terra no Brasil. A tese de Rezende _ um dos mais assíduos integrantes das listas de cabras marcados para morrer na região do "Bico do Papagaio" (sul/sudeste do Pará, norte do Tocantins e sudoeste do Maranhão) _, foi concluída com sucesso, ao final do ano passado, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. No período analisado pela tese de mestrado do religioso, de 1969 a 1995, cerca de 21.842 trabalhadores foram escravizados, em 125 imóveis rurais apenas nas regiões sul/sudeste do Pará. Ricardo Rezende também apresenta dados atualizados de ações do Ministério do Trabalho realizadas na região, que mostram a libertação de 150 trabalhadores rurais flagrados em regime de escravidão em 1995, 288 libertados em 1996, 220 em 1997, 64 em 1998, 639 em 1999 e 284 peões libertados este ano, quando foram fiscalizadas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho cerca de 22 empresas rurais. No levantamento feito por Ricardo Rezende, os grandes grupos econômicos _ que em sua maioria implantaram projetos na região com incentivos fiscais do Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) _, são acusados de terem permitido o uso de mão-de-obra escrava desde o final da década de 60. A maioria das acusações contra as empresas partiu de trabalhadores rurais que fugiram de fazendas onde eram explorados e deram depoimentos dramáticos sobre a escravidão branca nessas propriedades à Comissão Pastoral da Terra (CPT), entidade ligada à Igreja Católica que acompanha há décadas a violência no campo e presta assistência aos movimentos de trabalhadores rurais sem-terra. Mineiro de Carangola, o padre Ricardo Rezende há mais de 20 anos milita no sul/sudeste do Pará. Em sua tese, eles listou os proprietários de 125 fazendas acusadas de utilizar mão-de-obra escrava, no período compreendido entre 1969 e 1998, na região do Araguaia-Tocantins paraense. "O problema da escravidão era geral na Amazônia, mas se manifestou de maneira especialmente trágica no sul do Pará", afirma Rezende. Segundo o religioso, isso ocorreu por causa do elevado número de projetos aprovados pela Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) na região, que chegou a 54% dos projetos incentivados em toda a Amazônia. "Até 1979, foram aprovados 102 projetos para uma área de 1,8 milhão de hectares, envolvendo um volume de recursos estimado em US$ 33 milhões", garante Ricardo Rezende. Na maioria dos casos, Rezende diz que tem "convicção moral" de que as denúncias são procedentes. "Até o início dos anos 90, praticamente não houve fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), nem instauração de inquéritos para apurar as denúncias sobre trabalho escravo escaminhadas principalmente pela CPT", justifica. Rezende afirma ter convicção de que houve prática de trabalho escravo principalmente na fazenda Vale do Rio Cristalino, um latifúndio montado pela Volksvagen do Brasil em Santana do Araguaia, no sudeste paraense. A fazenda, que depois foi vendida pela Volks ao grupo Matsubara, é campeã em denúncias de trabalho escravo, já que foi acusada pela primeira vez há mais de 10 anos, conforme relata o padre Rezende em sua tese de mestrado. A assessoria de imprensa da Volkswagen afirma que as denúncias são falsas e alega em sua defesa que a empresa nunca foi condenada na justiça por praticar tal crime. Mas, além de exibir depoimentos de trabalhadores que conseguiram fugir das fazendas onde eram escravizados, o padre Ricardo Rezende sustenta em sua tese de mestrado a acusação com base no fato de que a Justiça condenou a Volksweagen a pagar dívidas trabalhistas reivindicadas por dois ex-supostos escravos. Um inquérito policial apurou a denúncia contra a Volks em 1983, mas sua conclusão é desconhecida. As demais empresas listadas na tese de mestrado de Ricardo Rezende também rebatem as acusações. Alegam, entre outras coisas, que nunca foram processadas ou condenadas por prática de trabalho escravo. A Supergasbras diz que desconhece o assunto. O ex-controlador do Bamerindus, José Eduardo Andrade Vieira, diz que outros religiosos comprovam a falsidade da acusação. O Bradesco não retornou os pedidos de informação sobre as denúncias do padre Ricardo Rezende. Sul-América e Manah também negam as acusações. A assessoria de comunicação do grupo Matsubara não retornou as ligações do Paraná, onde é sediada.
  Autor:   Ronaldo Brasiliense.





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